VGBL passa a ser tributado na transmissão de bens!

A Receita Federal consolidou o entendimento de que, na sucessão via VGBL, os rendimentos acumulados são tributados pelo IR no falecimento do titular, enquanto o capital aportado permanece isento. Não há novo imposto, mas mudança interpretativa. O VGBL segue útil no planejamento sucessório, exigindo agora análise mais técnica.

Leonardo Marks

4/10/20262 min read

VGBL na sucessão: o risco silencioso que pode reduzir a herança da sua família

Durante anos, o VGBL foi visto como uma das ferramentas mais eficientes de planejamento sucessório: fora do inventário, pagamento rápido aos beneficiários e, principalmente, sem imposto na transmissão.

Esse cenário acabou de mudar e muita gente ainda não percebeu.

Uma nova interpretação da Receita Federal abriu espaço para a cobrança de Imposto de Renda sobre parte do VGBL no falecimento do titular. O efeito prático? Menos dinheiro no bolso dos beneficiários, justamente no momento mais sensível para a família.

O que está acontecendo, na prática?

A Receita Federal passou a defender que nem todo valor pago pelo VGBL tem natureza de seguro. Segundo esse entendimento:

  • a indenização por morte continua isenta;

  • a rentabilidade acumulada pode ser tributada em até 15% ou mais, dependendo do caso;

  • bancos e seguradoras já estão retendo imposto na fonte, de forma automática.

Ou seja: quando a família recebe o recurso, o imposto já foi descontado.

Por que isso é tão preocupante?

Porque a maioria dos planejamentos sucessórios foi montada com base em uma premissa simples:

“VGBL não paga imposto na sucessão.”

Hoje, essa premissa não é mais segura.

Além disso:

  • o entendimento da Receita contraria decisões do STF, o que abre espaço para disputas judiciais;

  • o custo tributário surge sem aviso prévio, no pior momento possível;

  • estruturas concentradas apenas em VGBL ficam vulneráveis a mudanças de interpretação.

O que antes era previsibilidade virou insegurança jurídica.

Seu planejamento sucessório ainda está protegido?

Essa mudança não significa que o VGBL deixou de ser um bom instrumento.
Mas significa, com certeza, que ele não pode mais ser usado sozinho, nem sem revisão técnica.

Hoje, um planejamento sucessório eficiente precisa:

  • diversificar instrumentos;

  • antecipar riscos fiscais;

  • reduzir dependência de entendimentos administrativos instáveis;

  • proteger o patrimônio antes que o problema apareça.

Quem não revisa, corre o risco de deixar para a família:

  • menos recursos;

  • mais burocracia;

  • e, em alguns casos, um litígio desnecessário.

    Novamente, reforço, o VGBL continua sendo um ótimo instrumento para sucessão patrimonial. Essa medida tomada pela receita federal, com certeza será judicializada. Ainda tem muita água para rolar embaixo dessa ponte

Consultor de investimentos da Portfel | Grupo Primo

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